Lazarim

10940474_717927104972595_4906595381178686960_nA freguesia de Lazarim é uma das mais conhecidas do concelho de Lamego.

A sua fama, que se estende a todo o país, deve-se essencialmente ao Carnaval, um dos mais típicos e tradicionais do nosso país. Em termos territoriais, estamos em presença de uma das maiores freguesias do concelho.

Situa-se no extremo sul do município, na margem do rio Varosela, sendo delimitado a sul e a leste pelo vizinho concelho de Tarouca. Dentro de Lamego, confina com Bigorne, a oeste, e com Magueija, Meijinhos e Lalim, a norte.

Há vários vestígios pré-históricos na área da freguesia, que permitem remontar o seu povoamento a épocas pré-celtas. É o caso dos vestígios castrejos da Maia, do Castelo e da aldeia de Mata de Lobos. Nas aldeias proto-históricas de Anta, Sabugueiro e Castelo, foram descobertas também várias sepulturas antropomórficas e antas Neo-Calcolíticas. Para o abade Vasco Moreira, a povoação foi fundada por um rei mouro, Zadan-Aben-Huin, senhor de Lamego no ano de 776.

Quanto ao topónimo, deriva do genitivo de Lazarini ou Lazarinus, de onde evoluiu para Lazarim. Ao longo dos séculos, Lazarim foi vila e sede de concelho, desde o século XII até 1834, ano em que uma grande reorganização administrativa do país eliminou mais de quatrocentos concelhos. No início, do seu território fazia parte também a aldeia de Mazes. Tinha Câmara própria, com mordomo e vereação, e Tribunal. Teve carta de foro, concedida por D. Afonso Henriques e confirmada por D. Afonso III. Alguns autores afirmam que recebeu foral-novo durante o reinado de D. Manuel I. No século XIX, Lazarim apresentava um relativo dinamismo económico. A prova disso mesmo é que, em 1830, João Teixeira de Melo Seabra, da Casa dos Seabras, montou aqui uma fábrica de papel, cujo engenho era movido a água. A produção – papel grosso e fino – era transportada por almocreves para a Universidade de Coimbra, para Lamego e para Viseu. O edifício então construído está hoje em ruínas.

Com a extinção do concelho, em 1834, Lazarim passou – mais Mazes e a freguesia de Meijinhos, que nessa altura também fazia parte do município – para Tarouca. Em 1895, transitou para Lamego. A 21 de Junho de 1995, foi elevada à categoria de vila.

mazes_01No que respeita ao património edificado, a primeira palavra vai para aquela que é conhecida como Alcaria de Mazes. Terá sido uma aldeia habitada em regime sazonal, acompanhando os roteiros do pastoreio de transumância. Apesar de estar abandonada, está em bom estado de conservação porque ainda é utilizada regularmente pelos pastores locais. Em 2001, foi iniciado o processo de classificação de todo o conjunto. A sua estrutura primitiva, datada do século XVIII, mantém-se inalterada. Estamos em presença da arquitectura típica da Beira Alta. São dois os núcleos de construção que se podem observar. As pequenas casas, em granito, são de um ou dois pisos e de planta rectangular simples. A cobertura é de duas águas em colmo. O primeiro piso estava reservado às lojas ou cortes para animais, o segundo era o da habitação. Têm poucas janelas ou aberturas para o exterior.

A Capela de Santa Bárbara terá sido construída em 1897, conforme inscrição na fachada principal. É um templo vernáculo e revivalista, de planta longitudinal simples com cobertura homogénea em falsa abóbada de berço. A fachada termina em empena. No interior, destaca-se o púlpito no lado da Epístola e retábulo-mor revivalista, com linguagem barroquizante. A Capela de S. Bartolomeu, muito simples, foi construída na primeira metade do século XVIII. Templo vernáculo, de planta longitudinal simples, com espaço único e cobertura em falsa abóbada de berço. Sem qualquer decoração, tem apenas no interior uma mesa de altar. A Capela de S. Lourenço, em Mazes, é setecentista – talvez 1744. É um templo tardo-barroco, onde se salienta a cobertura em caixotões e os retábulos: o retábulo-mor, de talha policromada com decoração rococó, e os retábulos colaterais, também de talha, com decoração oitocentista. No exterior, tem torre sineira adossada à fachada lateral.

A Igreja Paroquial, dedicada ao Arcanjo S. Miguel (orago muito frequente na região), tem como especial motivo de interesse o tecto pintado, onde se representam Anjos e Arcanjos, entre outras figuras sacras. É coroado pelo brasão esculpido em pedra da família Vasconcelos de Alvarenga, patronos desta igreja, desde o reinado de D. Dinis. O retábulo-mor oitocentista, da autoria do entalhador João Correia Monteiro, também tem interesse artístico.